Tratamento

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As crianças do espectro autístico melhoram sempre, com ou sem tratamento! Porém com os tratamentos adequados chegam próximo à sua potencialidade.

O período de tratamento pode se tornar para o profissional o melhor dos mundos ou o mais sofrido. É muito gratificante uma relação médico/terapeuta-paciente/família saudável. Os profissionais têm prazer em trabalhar com uma pessoa e acompanhar sua melhora, mesmo que de forma árdua. Todos valorizam as famílias que investem técnica e afetivamente em suas crianças os reconhecendo como realmente valiosos.

A TERAPIA COMPORTAMENTAL

A terapia comportamental tem suas raízes em estudos de aprendizagem, baseados nos princípios da análise experimental do comportamento, propostos por Skinnner, que denominou sua forma de pensar de “behaviorismo radical”.

Estes princípios se originaram a partir de pesquisas de laboratório e analisam as relações entre as ações do organismo e seu meio ambiente, destacando o papel crítico de condições antecedentes e conseqüentes ao comportamento para que haja aprendizagem.

Comportamento, unidade básica de estudo da psicologia, conforme esta abordagem, consiste na ação de um organismo em interação com seu ambiente. Não existe comportamento desvinculado do ambiente, assim como não existe ambiente a não ser em relação às ações do organismo.

Consideram-se comportamentos aqueles que são publicamente observáveis, bem como os encobertos, os que ocorrem dentro do organismo, como os sentimentos e outros estados subjetivos.

A noção de ambiente inclui o ambiente interno com seus estímulos orgânicos (no qual a genética também tem sua contribuição) e o externo. No decorrer da vida do indivíduo, o ambiente modela, cria um repertório comportamental e o mantém. O ambiente ainda estabelece as ocasiões nas quais o comportamento ocorre, já que este não ocorre no vácuo.

A terapia comportamental utiliza os princípios básicos do comportamento produzidos pelos trabalhos experimentais para o entendimento do comportamento das pessoas, tanto a nível diagnóstico, como a nível terapêutico. Reforçamento, esquemas, extinção, punição, controle de estímulos, generalização, equivalência de estímulos, controle por contingências, controle por regras verbais, são alguns dos conceitos da abordagem comportamental.

Entender os princípios que estão atuando fornece a estrutura necessária para se desenvolver as práticas terapêuticas e o entendimento do porquê de certa prática usada pelo terapeuta funcionar ou não.

A ATUAÇÃO DO TERAPEUTA COMPORTAMENTAL

As origens experimentais da terapia comportamental trouxeram algumas vantagens importantes ao clínico:

  • Treino para a observação de comportamentos verbais e não verbais, seja na casa, na escola e/ou no próprio consultório, que se constituem fonte de dados relevantes.
  • Direcionamento da pesquisa das variáveis determinantes no ambiente, na história de vida e no organismo.
  • Estudo do papel que o ambiente desempenha, ambiente este onde é possível interferir; ele tem maiores possibilidades de verificar as hipóteses levantadas.
  • Entendimento do que é observado como um processo, um processo comportamental, com contínuas interações e, portanto, sujeito a mudanças.

Em termos de filosofia de ação, a ênfase quanto às decisões do tratamento está principalmente voltada a critérios funcionais e sociais. Questiona-se constantemente: quais as condições que mais contribuirão para que o indivíduo a ser tratado possa melhor desenvolver-se, adquirir a maior autonomia possível e interagir de maneira eficaz na sociedade em que está inserido.

O TRATAMENTO COMPORTAMENTAL

Ser terapeuta comportamental envolve vários papéis:

  • Analista das relações funcionais entre as ações de cada pessoa e seu ambiente, externo, interno, social, físico; das tarefas a serem desenvolvidas por seus pupilos; dos passos em que devem ser divididas para se obter um resultado eficaz.
  • Educador, uma vez que para ele o tratamento envolve um procedimento abrangente e estruturado de ensino-aprendizagem ou re-aprendizagem.
  • Pesquisador, quando realiza manipulações experimentais, para verificar as hipóteses levantadas.

Para permitir a tomada de decisões e a implementação de um programa de tratamento, Windholz (1995) distinguiu quatro fases, cujo conjunto constitui a terapia comportamental:

  • avaliação comportamental
  • seleção de metas e objetivos
  • elaboração de programas de tratamento
  • intervenção propriamente dita

 

Fonte: Transtornos Invasivos do Desenvolvimento - 3o Milênio, Walter Camargos Jr e colaboradores, cap. XII.